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Depressão Infantil

Como identificar e realizar o tratamento adequado?

A depressão infantil, assim como a depressão em adultos, se caracteriza como um transtorno de humor capaz de afetar a vida biológica, emocional e social da pessoa. Entretanto, ela se manifesta de formas bem distintas em ambos os públicos, sendo que, na criança, o diagnóstico se torna muitas vezes confuso, camuflado, devido à impossibilidade de verbalização dos sintomas, à imaturidade emocional e, principalmente, devido à resistência dos pais na busca por ajuda.

Os estudos acerca de medicamentos e teorias que abordam o tema da depressão infantil são recentes, mas, mesmo já existindo um grande avanço nessa área, muitas vezes se apresenta de difícil acesso, por ser a criança um ser em evolução, com comportamentos que tendem a mudar em curtos períodos de tempo, o que torna o diagnóstico da doença algo ainda mais delicado.

A ideia de que a infância sempre se mostra como uma fase áurea, erroneamente entendida como isenta de problemas emocionais, pela imaturidade cognitiva da criança, por ser uma fase de brincadeiras, onde o lúdico prevalece como forma de expressão, faz com que os pais não olhem seus filhos como alguém que pode estar sofrendo e precisando de ajuda especializada.

Alguns sintomas da depressão infantil podem se apresentar diante dos olhos dos genitores como birra, manha, pirraça e malcriação, quando, na verdade, elas estão de fato assinalando para os seus pais que algo não vai bem, que algo está incomodando. São diversos os sintomas que podem caracterizar a depressão infantil, os mais comuns são a baixa auto-estima, distúrbios do sono, dificuldade de relacionamento (comportamento anti-social), transtornos de déficit de atenção, hiperatividade, tristeza, baixo rendimento escolar, falta de apetite, agressividade ou passividade exacerbada, dificuldades cognitivas, indisciplina, idéias ou comportamentos suicidas. Alguns se desenvolvem até mesmo de forma somática, através da presença de dores abdominais, cefaléia (dores de cabeça), vômitos e diarreia. É importante ressaltar que, para que exista um diagnóstico da depressão infantil, se faz necessária a presença de, pelo menos, 4 destes sintomas, que devem ser analisados também a partir de sua freqüência e intensidade.

Nos dias de hoje, um grande fator desencadeador da depressão infantil em nível psicológico que percebo com freqüência em meu consultório, é a pesada e atribulada jornada de trabalho dos pais, deixando assim a desejar a relação de pais e filhos. Sabemos que os pais têm como objetivo conquistar e, assim, oferecer uma qualidade de vida com mais conforto para seus filhos, mas é de extrema valia a relação efetiva dos pais na vida da criança em seus primeiros anos de vida, pois, nessa fase, ela precisa ser acompanhada de perto.

O adulto precisa nomear o mundo para a criança, que chega sem nada saber, dando assim sentido a todas as coisas a sua volta, fazendo-a desta forma sentir-se segura e protegida. Na verdade, os pais ocupam um lugar muito importante na vida da criança que apresenta um quadro depressivo. São eles, em sua maioria, ou aqueles que costumam estar mais próximos à criança, incluindo professores, que, por conhecê-la bem, sentem que algo está fugindo do controle, que algo se apresenta de uma forma que eles não conseguem dar conta. Nesse momento, é de extrema importância que os responsáveis procurem ajuda especializada, sejam eles psicólogos ou psiquiatras, pois ambos, ao diagnosticarem a doença, têm o dever de realizar um trabalho em parceria, cabendo à área médica a prescrição de algum, ou de alguns medicamentos, caso isso seja necessário, e ao psicólogo, realizar atendimentos semanais com a criança e com a família.

Em meu consultório, costumo utilizar como técnica terapêutica infantil a LUDOTERAPIA, que se revela através de um tipo de psicoterapia, que tem como objetivo trabalhar os conflitos internos da criança através de brinquedos e brincadeiras que a estimulem a buscar melhores alternativas de lidar com eles. A presença dos pais ou responsáveis é de extrema importância, pois a família estará fragilizada e precisando de suporte na busca por um melhor posicionamento ao enfrentamento da doença.


Muitos pais chegam aos atendimentos sentindo-se culpados pela condição do filho, envergonhados e resistentes ao tratamento. Nessas horas, é importante pensar que todos um dia foram crianças, que nenhuma formação pessoal é livre de excessos e carências e que é justamente na fase adulta onde podemos reparar muita coisa em nossa estória que ficou para trás, às vezes só sendo possível realizar este fato através dos filhos, lembrando assim que nunca é tarde para novos reparos.

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